Desde o ano passado muito tem se especulado sobre o futuro de Quinze de Novembro, principalmente no que corresponde ao parque de águas termais que deve ser implantado no município. O investimento é privado, de um grupo de acionistas e conta com todo o apoio da Administração Municipal, que ao que tudo indica, acompanha de perto os acontecimentos na área onde estava sendo perfurado o poço.

As primeiras máquinas chegaram em 2019, porém pelo que foi apurado pela equipe de reportagem do Jornal VR, o essa história é bem mais antiga, ainda na primeira gestão do ex-prefeito de Quinze de Novembro, Ildemar Güntzel in memorian. Güntzel (MDB) começou a pesquisar sobre o assunto após uma conversa em uma roda de  amigos e a partir daí, o assunto foi levado mais a sério por ele.
De uma brincadeira, as pesquisas iniciaram e ano a ano com o trocar de gestões muitos esforços foram feitos pelos gestores. Inclusive tentou-se um convênio entre o município e o Estado do Rio Grande do Sul, que não teve sucesso devido a alguns impasses burocráticos e também por que o Estado nunca mandou a máquina. A alegação seria o estado deplorável em que ela se encontrava e mesmo o município oferecendo manutenção, isso não se concretizou.
Foi então em 2019 que o Prefeito de Quinze de Novembro, após perceber que não haveria condições dessa obra ser feita pelo poder público e que o Estado não poderia perfurar o poço, que outras ideias começaram a surgir e nessas ideias, a do grupo de investidores.
Primeiro fora iniciada a pesquisa que determinou seis locais possíveis para instalação do parque. O local escolhido – e onde esta sendo perfurado o poço – é de propriedade de Olando Maier, que junto com Güntzel sonhava com um parque de águas termais. Sabendo da impossibilidade de utilizar a máquina do Estado, o grupo chegou na empresa Hidrogeo, especializada na perfuração de poços em altas profundidades. Essa empresa também perfura poços de petróleo.
A empresa começou a trabalhar na perfuração do furo piloto para analisar dentre vários aspectos, também a temperatura da água. Primeiramente com uma máquina de avanço rápido acionada com o compressor que pode alcançar os 700 metros de profundidade. Porém quando chegou a 100 metros de profundidade, a máquina não estava mais conseguindo perfurar por que havia muita água no poço, para conter a água fora preciso cimentar o poço. Quando a empresa chegou aos 400 metros, tiveram de trocar de máquina, por que mesmo cimentando, o poço produzia cerca de 300 metros cúbicos por hora, que impedia a máquina de bater no fundo para continuar a perfuração.
A máquina que chegou então, da mesma empresa, é a segunda maior do País, para perfurar poços. Segundo informações obtidas a máquina pode perfurar até mesmo poços na diagonal e alcança uma profundidade de até 1.5 quilômetros. Antes de trabalhar em Quinze de Novembro, ela perfurava poços de petróleo. Foi com essa máquina que a empresa chegou nos 990 metros de profundidade


Pesquisas
O grupo realizou a primeira análise da água em 600 metros e fora constatada através de uma geofísica, uma temperatura acima dos 30ºC. Quando chegou a uma profundidade de 950 metros, fora realizada a segunda geofísica, para determinar além da temperatura as propriedades da água. Nessa pesquisa foi constatada que a temperatura estava em 39,4°C. Foi nesse momento em que a pesquisa obteve o primeiro sucesso e o poço pode ser projetado. A partir daí que dentre as hipóteses fora definido o que seria feito com o poço.



Revestimento

Para dar continuidade ao projeto o grupo teve que revestir o poço, por que tinha entrada de água fria desde os 100 metros até os 900 e sendo assim, não seria possível obter água quente. Então foi injetado cimento em alta pressão para isolar a água e um acabamento do poço com filtro e pré-filtro.

Futuro
Em breve o poço deve ser entregue e aí o grupo pode dar prosseguimento aos demais tramites. Que envolvem também o Lamim – Laboratórios de Análises Minerais, que ira determinar quimicamente a água. Mas a comunidade pode ficar tranquila que é certo que haverá um parque de águas termais e provavelmente um hotel do lado. E ainda há possibilidade devido a vazão do poço, comercializar a água para outros empreendedores.Pode-se destacar que para o município fazer tudo isso, precisaria constituir uma parceria público-privada, pois além de legislações, o custo de instalação do parque seria um investimento inviável para o município se comparado ao seu orçamento anual.


Fonte: Visão Regional / Fotos Produtora DJ